Alexandre Ribondi e o Teatro Brasiliense
Alexandre Ribondi, brasileiro nascido em 12 de dezembro de 1952, em Mimoso do Sul, Espírito Santo, é jornalista, escritor, ator e dramaturgo. Trabalha como diretor teatral desde 1974. Atualmente sócio do Espaço Cultural Casa dos Quatro. Um nome importante para a cena teatral Brasiliense.
Entrevista feita em janeiro de 2023.
Vinicius Moreira - Como você descreveria seu histórico artístico? Existem fases no seu trabalho ?
Alexandre Ribondi - Cheio de altos e baixos, como qualquer vida, eu acho. Desde os seis anos de idade, queria trabalhar com a arte de representar. E tenho conseguido. Já passei por fases de criação coletiva, nos anos 70 -- época em que também fiz teatro de combate à ditadura, que chamávamos de teatro guerrilha. No início dos anos 80, fui fundo no teatro besteirol, decidido a ter orgasmo antes do fim da ditadura. Atualmente, direciono o meu trabalho para a militância LGBT.
Vinicius Moreira - Com quem você dialoga no processo criativo? Suas referência?
Alexandre Ribondi - Já escrevi peças dedicadas a um ator e então conversei bastante com ele. Mas normalmente diálogo comigo mesmo e com algumas lembranças. Curiosamente, sempre penso na atriz franco-espanhola Maria Casares quando crio cenas. Acho que gostaria muito que ela interpretasse uma personagem minha. Quanta pretensão...
Vinicius Moreira - Como você definiria seu processo criativo?
Alexandre Ribondi - louco, desorganizado, apressado, entediado. Uma zorra.
Vinicius Moreira- Existe uma estrutura, método nas suas direções?
Alexandre Ribondi- não sei. Mas de maneira geral, gosto de trabalhar a partir da inspiração que o ator me passa, quando dirijo. Quando escrevo, são a memórias e as imagens.
Vinicius Moreira - como é o seu processo de criação dramatúrgica?
Alexandre Ribondi - começo a criar a dramaturgia a partir de um enunciado, uma ideia que eu queira discutir: homossexualidade, racismo etc. Daí penso em nomes para as personagens, que é uma parte divertida no processo. Depois, penso no caráter das personagens. E aí escrevo a peça inteira na minha cabeça. É só então me sento para digitar. Às vezes, digito a peça toda em metade de um dia.
Vinicius Moreira - “Felicidade” foi um projeto cênico/performativo que levantou debates relevantes para a comunidade LGBTQIA+. Qual a importância desse projeto para você? Como ele surgiu ?
Alexandre Ribondi- ele surgiu de referências que acho importantes na minha vida: a sudariedade ( que é o ponto fulcral do teatro que faço) e a militância LGBT. Daí, é fácil entender porque passei 7 meses ensaiando com atores homossexuais da Cidade Estrutural. O resultado, que foi a peça Felicidade, é um dos mais bonitos e ricos da minha carreira como pessoa de teatro. Mudou tudo, me pôs de cabeça pra baixo e, sobretudo, me pôs em confronto com os meus valores de classe média branca. Sempre agradeço aos atores e às atrizes de Felicidade por tudo que fizeram.
Vinicius Moreira - quais os seus futuros trabalhos? Pode dar algum spoiler ?
Alexandre Ribondi - Felicidade 2, com a comunidade gay de Sol Nascente. Manter a Casa dos Quatro aberta. Viajar pro México e pra Áustria com a peça Volver a Leticia, com o ator Túlio Guimarães. O resto, não sei.
Vinicius Moreira - como surgiu a criação do espaço multicultural Casa dos Quatro?
Alexandre Ribondi - Surgiu numa mesa de bar entre Luisa de Maríllac e Morillo Carvalho ( ex alunos da minha oficina de teatro) e eu. Daí, fomos à luta para alugar um espaço que fosse barato, fizemos as reformas necessárias e nos instalamos. E luto dia a dia para manter o “sinhô” de pé. Vale a pena.
Vinicius Moreira - qual a importância da Casa dos Quatro para a cena teatral Brasiliense?
Alexandre Ribondi - adoraria que a classe artística respondesse essa pergunta. Mas é importante porque os grandes espaços, mantidos pelo estado, estão em ruínas, jogados ao abandono.
Vinicius Moreira - é notório a sua importância para a cena cultural, teatral e de resistência em Brasília. Qual conselho você daria para jovens, estudantes de teatro?
Alexandre Ribondi - não desistam, nunca. Teatro é amor as pessoas, é ser capaz de compreender o bem e o mal, é saber que, mais do que ser feliz, o importante é levar uma vida interessante e criativa.
Comentários
Postar um comentário